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Aconteceu no mercadoEditorial NRInglês

★ IATEFL 2018: Uma visão da primeira experiência no evento

A maior parte dos professores de língua inglesa que conheço tem a curiosidade de viajar, ao menos uma vez, para um país anglófono. O que nem todos possuem, infelizmente, são as condições  financeiras para tanto.

Eis que surgem as bolsas de estudos. Por exemplo, todo ano, a associação internacional de professores de inglês baseada no Reino Unido, IATEFL, oferece uma lista de bolsas promovidas por diferentes organizações que levam vários professores do mundo inteiro para seu congresso anual.

Algumas são para quem vai apresentar; outras para quem vai só assistir. Algumas são para diferentes regiões do mundo, sendo uma delas a América Latina, ou para diferentes subáreas do nosso ramo, como tecnologia educacional ou avaliação. Parte delas cobrem apenas alguns dos custos; outras lhe mandam para o congresso no Reino Unido com tudo pago.

É necessário reforçar: tudo pago mesmo. A bolsa para qual eu concorri, generosamente ofertada por Cambridge Assessment English, arca com os custos de:

• passagens aéreas;

• deslocamento terrestre de para o aeroporto de partida e de destino;

• hospedagem;

• anuidade da associação IATEFL;

• ingresso no congresso;

• ingresso no evento pré-congresso;

• e um pequeno ordenado diário para alimentação.

(Ou livros. Devo confessar que gastei quase tudo neles!)

No entanto, quando conto da bolsa, o que mais ouço depois de parabéns é aquele muxoxo de quem acha que jamais conseguiria. Esse derrotismo quase me fez desistir também depois da primeira vez que tentei e não ganhei, mas, com apoio de ex-bolsistas que conheci pela BrELT (www.facebook.com/groups/brelt), resolvi insistir e fui contemplada com uma das maiores experiências da minha vida.

Além da alegria da viagem e da realização de receber um prêmio que traz o nome de peso de uma organização como Cambridge Assessment English, ainda há tudo que esse congresso significa. O IATEFL é responsável pela segunda maior conferência de ensino de inglês do planeta e congrega profissionais de todos os cantos do mundo. Apesar de suas proporções gigantescas, o clima é  intimista, de amizade e de bom convívio. Assim, tive a felicidade de interagir com uma croata, uma russa, uma chinesa, uma americana, uma grega, um casal de nepaleses, muitos britânicos, suíços, argentinos, uruguaios e uma grande delegação de brasileiros. Os contextos de trabalho também eram dos mais diversos: professores de escola e de universidade, professores de curso de inglês, autores de material didático, pessoas responsáveis por avaliação ou políticas linguísticas, etc.

Só esses contatos já valeriam a viagem, porém a importância do IATEFL se faz sentir também nas plenárias, que você também pode assistir on-line e de graça (https://iatefl. britishcouncil.org). Elas são tão influentes que repercutem no dia a dia até de professores que não estavam por lá. Por exemplo, em 2017, J.J. Wilson trouxe Paulo Freire de volta às discussões do ensino de inglês no cenário mundial. A plenária da argentina Silvana Richardson em 2016 sobre o preconceito contra professores não nativos jogou um holofote sobre esse grande elefante branco da nossa profissão. Neste ano de 2018, Silvana estava lá no IATEFL novamente falando, em uma sessão conjunta com o uruguaio Gabriel Díaz Maggioli, sobre desenvolvimento profissional continuado e como fazer para que as iniciativas de desenvolvimento garantam o mais importante resultado final: o aprendizado de nossos alunos. Pude conversar com os dois palestrantes e voltei com a mente fervilhando de ideias para o BRAZ-TESOL, a maior associação de professores de inglês no Brasil.

Em termos de plenária, neste ano de 2018, destacou-se a americana Dorothy Zemach com sua crítica inteligente e bem-humorada ao mercado editorial. Também apreciei muito a fala de Lourdes Ortega, em sua plenária de abertura, que nos lembrou do papel da pesquisa na prática dos professores. Há tópicos que a pesquisa não resolveu, é verdade, como, por exemplo, quando e como devemos lidar com os erros dos alunos. No entanto, há mitos – como o de que crianças aprendem melhor que adultos – que já foram há muito desbancados por estudos e mais estudo s e, no entanto, nossos alunos e até instituições continuam repetindo, o que pode levar a resultados negativos quando aprendizes adultos creem já terem passado da época de aprender o idioma.

Desbancando mitos, nosso Luiz Otávio Barros também levantou um questionamento sobre a tão comum distinção entre fluência e correção e como talvez os dois conceitos sejam muito mais interligados do que costumamos admitir. Ana Carolina Lopes ressaltou a importância de incluir a todos no material didático, uma fala impactante quando se lembra que ela trabalha em uma das grandes editoras do mercado brasileiro. Ilá Coimbra falou da inclusão na perspectiva dos professores em sala de aula e Heloísa Duarte apontou as necessidades do aluno da terceira idade. Patricia Santos trouxe a realidade da escola pública brasileira, enquanto Ricardo Morelli mostrou como trabalhar a autonomia dos alunos para permitir uma abordagem centrada em tarefas em grupos maiores. Por fim, Bruna Caltabiano abordou um tema que não havia sido trabalhado ainda na história do congresso: a questão da liderança feminina em uma profissão que tem tantas mulheres no nível de entrada na carreira, mas não tantas como coordenadoras e diretoras. Se trago o nome de vários palestrantes brasileiros (e infelizmente nem pude citar ou ver todos!), não é por acaso: marcamos presença em peso e pude ouvir muitos comentários elogiosos sobre o trabalho dos nossos conterrâneos.

Como nem só de plenárias, palestras e workshops vive uma pessoa, vale a pena destacar também os inúmeros compromissos sociais noturnos. O IATEFL e seus patrocinadores organizaram coquetel, jantar, aula de salsa, stand-up comedy, cantoria, contação de histórias… Definitivamente não economizam criatividade para agregar as pessoas e, claro, essas iniciativas funcionaram muito bem. Por exemplo, por mais acessível que ele seja, eu jamais teria coragem de chegar a uma referência bibliográfica do porte de Scott Thornbury para falar o quanto admiro o seu trabalho. No entanto, em um coquetel em que estávamos todos com muito calor, quando percebi, já estava dividindo o meu leque com ele e conversando alegremente.

O IATEFL ainda conta com uma feira com expositores muito interessantes, que trazem as novidades do mercado editorial, livros com desconto, materiais menos acessíveis, projetos em fase inicial e até uma feira de oportunidades de trabalho com direito a consultoria sobre seu currículo.

Entre sessões acadêmicas e práticas, aquisição de livros e eventos sociais, tive dias tão intensos, começando às 8h da manhã e terminando para lá das 22h, que ainda não processei todo o aprendizado, todos os contatos e mesmo toda a alegria. Se por um lado eu poderia escrever mais, muito mais, sobre essa experiência única, talvez ela seja mesmo pessoal e intransferível. Por isso, fica a mensagem: tente. Tente quantas vezes for necessário até que você possa ter essa experiência e sentir o impacto nas suas aula s e no aprendizado de seus alunos. A experiência de estar lá nesse ambiente talvez não se transfira, mas a alegria de aprender é, sem dúvida, altamente contagiosa.

A autora
Natália Guerreiro é formada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), possui especialização (M.A.) em linguística aplicada e avaliação de línguas pela Universidade de Melbourne na Austrália e atua com capacitação e avaliação da proficiência em língua inglesa dos controladores de tráfego aéreo na Força Aérea Brasileira. Ela viajou para a Inglaterra com tudo pago pela bolsa John Trim concedida por Cambridge Assessment English mediante inscrição e avaliação dos projetos submetidos.
www.cambridgeenglish.org/iatefl-scholarships/
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