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Editorial NRIdiomas pelo mundo

Entrevista com a tradutora Isa Mara Lando no Dia do Tradutor

New Routes: Isa Mara, duas pergunta no Dia do Tradutor:
Como você se sente em relação à profissão?
A tecnologia é nossa amiga ou inimiga?

Isa Mara: Grata pelo convite, respondo com prazer.
Como me sinto? Sinto-me muito grata à minha profissão de tradutora! Aliás, sou grata às minhas duas profissões: tradutora e professora e, especialmente, professora de tradução. É uma atividade que junta tudo que eu gosto de fazer e tenho para oferecer aos colegas e alunos.

Claro que nesta quarentena me sinto ainda mais grata pela possibilidade de trabalhar em casa – como, aliás, nós tradutores sempre fizemos. Mas não é só por essa grande conveniência. A única medida de valor na nossa profissão é a qualidade da tradução. É esse o padrão-ouro: apresentar a quem nos encomendou uma boa tradução, fiel e natural, clara e correta, bem pesquisada e bem revisada. Um trabalho que faça jus ao dinheiro que o cliente está nos pagando; que respeite o autor e o texto original; e que respeite igualmente o leitor, o usuário final do trabalho. Um trabalho digno, feito com profissionalismo e consciência, que faça jus ao nome e ao sobrenome que nossos pais nos deram.

Sinto-me muito grata também pela oportunidade de ler tantos livros excelentes, que eu dificilmente leria se não tivesse que traduzir. Destaco alguns, como a biografia de Einstein, de Walter Isaacson, um livro que tanto me ensinou sobre a personalidade modesta e afável desse gênio; “Haroun e o Mar de Histórias”, de Salman Rushdie, uma fábula divertida e inteligente para crianças e adultos; “Os homens ensinam tudo para mim”, ensaios feministas incisivos, perspicazes, cheios de ironia; “De quem é esta história”, mais ensaios atualíssimos da mesma autora, a afiada Rebecca Solnit. Para crianças, as séries Judy Moody, Chiclete e Clarice Bean, que traduzo com tanto prazer, tentando conservar o tom, o estilo, o senso de humor especial dessas ótimas autoras. E para o teatro, o trabalho que me deu mais satisfação: “Violinista no Telhado”, que tive o imenso prazer de ver em cena sete vezes, com os atores dizendo as falas que escrevi na mesa da cozinha e o público se deliciando com as piadas, cantando as músicas, se envolvendo com a história, se identificando com os personagens, sentindo emoção, medo, esperança.

Mas não são apenas os livros e as peças teatrais que requerem tradução. Se traduzo uma apresentação de RH para que os funcionários de uma firma deem mais atenção à saúde e ao sono, ou um treinamento para motoristas de ônibus para que dirijam de maneira mais calma e consciente, também sinto que estou contribuindo para a sociedade com meu modesto tijolinho anônimo. Modesto, porém indispensável, pois por enquanto os programas de tradução ainda não dão conta das sutilezas e nos oferecem apenas um rascunho – que, naturalmente, será preciso burilar, mas que proporcionam uma preciosa economia de tempo e digitação. E, aliás, corrigir o Google Tradutor e transformar aquelas frases rígidas e esquisitas em frases corretas e naturais em português é um bom exercício – além de ser uma atividade muito mais leve, física e mentalmente, do que começar uma tradução do zero. Traduzir não é digitar. Traduzir é raciocinar, é compreender o conjunto do texto, é perceber o uso especial de uma palavra ou expressão dentro de um contexto específico. É decifrar as dificuldades; é encontrar, no nosso cérebro, na nossa biblioteca mental, enriquecida por leituras de alta qualidade, soluções fiéis e naturais para aquele texto em português.


E por que puxar todas as opções de tradução apenas do meu limitado cérebro, da minha limitada experiência, dos meus limitados conhecimentos, se já existe essa tecnologia que pega as traduções da nuvem? Ou seja, posso desfrutar de toda a inteligência da humanidade, e ainda da inteligência dos engenheiros de computação que nos deram essa ferramenta maravilhosa, reduzindo pela metade nosso tempo de trabalho – ou seja, dobrando nossos ganhos.
E para terminar, um conselho que eu gostaria de dar a todos tradutores, professores e qualquer pessoa de qualquer profissão: desenvolva um trabalho original, seu. A minha sorte foi ter começado a tomar notas do vocabulário mais necessário desde o primeiro livro que traduzi – uma iniciativa minha que veio a se tornar o VocabuLando – Vocabulário Prático Inglês-Português, um livro que tenho a felicidade de ver já em muitas edições e com cerca de 15 mil exemplares vendidos, ajudando os colegas a estudar e os profissionais a traduzir, enriquecendo a nossa conversa coletiva e nosso cabedal coletivo de conhecimentos.


É muito bom elaborar um projeto próprio, original nosso. Realize seu projeto! Cada pessoa tem uma riqueza insubstituível, algo único e original para dar à sociedade, fruto das experiências que só ela mesma viveu. Transforme suas experiências e seus trabalhos em algo que possa ser aproveitado pelos colegas!
E se quiser trocar ideias e receber informações sobre minhas oficinas de tradução online, seu contato é bem-vindo:
[email protected]
A todos desejo boa sorte, bom trabalho e bons estudos!

Autor

Isa Mara é professora, escritora e tradutora, formada em Língua e Literatura Inglesa pela Pontifícia Universidade de São Paulo. Além disso, graduou-se no curso de Formação de Professores da Cultura Inglesa de São Paulo onde lecionou por dez anos.

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