Veja agora mesmo a nova edição #74 da Revista New Routes na íntegra!

BlogCultura e Educação

Estratégias Pedagógicas: Motivação na Educação

Como podemos trazer uma Educação que seja efetiva e participativa, onde os alunos aprendam desde os anos iniciais a ter autonomia, responsabilidade e seguir os fundamentos pedagógicos que fazem parte do processo de aprendizagem?

A BNCC tem o propósito de servir como referência para os Currículos das Escolas Públicas e Particulares tendo por fundamento pedagógico a definição de competências gerais que servem como eixo orientador dos currículos e dos componentes curriculares, sempre com ênfase na educação e na formação integral das crianças e jovens.

“Os estudantes assumirão um importante papel de protagonismo que requer um ambiente de aprendizagem desafiador e motivador.”

Este artigo tem como objetivo trazer abordagens referentes à motivação em sala de aula e apontar a importância dessa prática desde a educação infantil até a fase adulta.

  1. Os alunos não deveriam se sentir obrigados a fazer tarefas, trabalhos e provas e sim, estimulados e motivados.

    Já nos anos iniciais, a educação deve ser fundamentada em estímulos e motivação para que possam ter a base para construir o alicerce necessário quando adultos.

    A motivação gera impacto intelectual e emocional ao longo de toda a vida, é de grande importância o professor como mediador desse processo, um aluno motivado participa ativamente de todo o processo de aprendizagem, empenhando – se para a compreensão e domínio dos conhecimentos, desenvolvendo assim, novas competências e melhorando o desempenho escolar.

    Por meio da motivação, o aluno está sempre disposto, mostra interesse e busca novos desafios, empenha–se em aprender e desperta o processo cognitivo, uma vez que o desenvolvimento cognitivo evolui durante a vida, sendo assim, um dos pilares do conhecimento intelectual.

    Nutlin (1991) define a motivação que compreende três fases: a fase construtiva, o sujeito constrói o seu mundo por meio das suas estruturas precativas e cognitivas; em segundo lugar numa fase elaborativa, fase dinâmica e motivacional e a fase executiva, na qual o sujeito age sobre esse mundo, executando a ação.

    Por meio da motivação podemos ajudar os alunos a encontrar razoes para aprender, oferecer a possibilidade de aperfeiçoar em áreas de interesse e despertar a curiosidade por meio de dinâmicas, pesquisas e debates em sala de aula.

    A motivação está ligada ao sucesso escolar e a qualidade da aprendizagem, proporcionar um desenvolvimento social e emocional desencadeia um comportamento determinado pelo prazer e pela satisfação potencializando as competências individuais de cada aluno. (Paiva e Lourenco, 2010).

    Os fatores organizacionais e ambientais são importantes no ensino/aprendizagem, uma ação harmoniosa que favoreça o empenho, engajamento e envolvimento em sala de aula vão favorecer para um excelente trabalho e desempenho.

    O professor deve oferecer aos alunos atividades que desenvolvam o senso crítico, a criação, a exploração e prepará-los para a vida. Proporcionar saberes e criar hábitos e condutas para um futuro construtivo, devemos atuar de forma dinâmica, utilizar a comunicação de forma efetiva, valorizar as relações, ensinar o respeito pelas diferenças sociais e incentivar a resolução dos problemas vivenciados no dia a dia no ambiente escolar e na sociedade como um todo, respeitando a faixa etária e trabalhando a motivação de maneira reflexiva e dessa forma motivar o senso crítico.

    Desde a educação infantil é possível desenvolver as habilidades mencionadas, por meio da curiosidade e da criatividade, motivar para que os alunos possam utilizar o que aprenderam em “saber fazer”, com característica essencial mediada pelo professor, o aluno deve sentir–se motivado no seu próprio processo de aprendizagem.
  2. Planos de aprendizagem.

    Não podemos pensar na aprendizagem sem a motivação dos alunos, é importante que os professores consigam mostrar a relevância e a importância da escola e dos conteúdos a serem estudados, fazer com que os alunos pensem e ativem a motivação intrínseca faz parte dos planos de aprendizagem do educador.

    A comunicação é um dos fatores mais importantes em sala de aula, por meio dela podem-se manifestar vontades, desejos e dessa forma dar voz aos alunos de forma que consigamos prender o interesse deles e mostrar que os benefícios pertencem a eles.

    Segundo (Perez, 2009), o professor deve ter o domínio de:
    “(…) capacidades pessoais e sociais que formam parte da nossa inteligência emocional e que nos ajudam a estabelecer e construir de forma mais adequada à relação com nossos alunos.”

    Outro fator importante de motivação é trabalhar com os alunos frequentemente problemas que ocorrem entre os colegas em sala de aula, proporcionar momentos de expressão para que sejam trabalhadas as diferentes características e temperamentos diversos, sendo o professor capaz de solucionar as diferenças dos comportamentos positivos e negativos utilizando os fundamentos pedagógicos.

    Os planos de aprendizagem de um professor estão ligados também ao contexto familiar, conhecer as histórias de vida, entender a relação familiar e ter conhecimento das vivencias pessoais, a relação entre escola e família deve caminhar unida numa parceria fundamental para a superação das dificuldades, uma vez que a criança começa a desenvolver competências e conhecimentos no ambiente familiar.

    Ao longo do processo educativo várias tendências pedagógicas vêm sofrendo modificações, muitas formas de linguagens, estímulos e ideias.

    Podemos utilizar jogos, brincadeiras, rodas de conversa para favorecer a aprendizagem, as escolas podem disponibilizar recursos variados para que ocorra o desenvolvimento de acordo com o ritmo de aprendizagem de cada criança e levar os recursos às famílias para que seja reforçado no ambiente familiar.

    A sociedade atual precisa e necessita de cidadãos ativos, capazes de questionar e que tenham interesse em aprender mais e mais, a informação nos dias atuais acontece de forma rápida e quanto mais os nossos alunos estiverem preparados, motivados para as múltiplas aprendizagens, mais independentes e capacitados estarão para o processo de aprendizagem.

    Não podemos deixar de citar que as novas tecnologias fazem parte das tendências da educação, tornando a aprendizagem mais dinâmica, interativa, divertida e também motivadora.

    É possível trazer o mundo para dentro da sala de aula enriquecendo as práticas pedagógicas, temos as lousas interativas, plataformas digitais, sendo possível a comunicação com outras instituições ao redor do mundo e dessa forma garantir um engajamento maior, mais dinâmico e motivador dentro da sala de aula, é necessário entender que temos hoje uma nova geração.

    Algumas tendências como a prática da gamificação que é uma forma lúdica de aprendizagem, utilizando jogos, o aluno aprende brincando, além de desafiador e muito estimulante, é motivador.

    A aplicação do empreendedorismo é uma abordagem com foco na proatividade, protagonismo e criatividade, o objetivo é fazer com que o aluno tenha um papel importante no seu processo de aprendizagem.

    A abordagem colaborativa motiva os alunos a trabalhar em conjunto com os professores, com outras disciplinas e dessa forma construir um aprendizado global e inclusivo.

    A tecnologia não deve mudar o papel do professor em sala de aula, os educadores devem estar preparados para conduzir o uso das mídias e softwares, encontrar um equilíbrio no uso das tecnologias, por isso, o professor tem um papel fundamental nesse processo.

    O desenvolvimento cognitivo por meio das mídias contribui na curiosidade dos alunos e motiva as aulas, prende a atenção, auxilia na melhoria da produtividade e contribui para o aproveitamento extraclasse e também para uma maior autonomia, uma nova forma de se comunicar, ajudar o próximo ä estudar e aprender.

    Se pensarmos hoje na sala de aula invertida, ou flipped classroom, segundo o educador Norte Americano Jonathan Bergman: “A metodologia prega que o professor induza no aprendizado ativo, preparando o estudante para um mundo cada vez mais complexo e incerto.”

    A ideia consiste em relações mais próximas entre docentes e discentes, o papel do professor não é apenas aquele que emite as informações e o aluno deixa de ser apenas aquele que recebe, dessa forma, existe a inversão no processo de ensino aprendizagem que motiva e estimula o aluno a buscar e demonstrar conhecimento.

    Nessa proposta, o aluno estuda em casa e em sala de aula contam com os professores para que sejam fixados os conteúdos, sendo possível tornar mais eficaz e ativo o aprendizado, uma vez que o aluno já teve contato com o assunto antes de vir para escola, otimiza tempo, uma vez que o tópico não será novo, o engajamento e a participação nas aulas faz com que o aluno seja o protagonismo do próprio aprendizado, e cada aluno pode estudar no seu ritmo e de forma mais adequada, nem todos aprendem da mesma forma, cada indivíduo tem o seu tempo. As vídeo-aulas são um diferencial que facilita o modelo de sala de aula invertida.

    O Ensino Híbrido também é uma modalidade que integra o ensino off-line (presencial) e on-line considerado um avanço que potencializa a relação ensino aprendizagem e dá autonomia ao aluno. Permite que o aluno tenha flexibilidade, mas sem perder o contato físico com os professores e colegas de sala, promove o amadurecimento emocional da criança e do adolescente, e aumenta a criatividade.

    No ambiente virtual, o estudante tem a responsabilidade de cumprir todas as tarefas, tomar decisões, ou seja, tem o controle da sua rotina de estudos e pode controlar o seu próprio tempo e ritmo.

    No ensino presencial, o aluno deve atender as propostas pedagógicas que são propostas pelos professores, nesse caso, em sala de aula, os alunos vão vivenciar a disciplina, respeito aos professores e colegas e principalmente o relacionamento interpessoal.

    O importante nesse método é que os professores preparem um plano pedagógico voltado para o Ensino Híbrido, o que garante utilizar os recursos disponíveis e as diversas estratégias que motivam os alunos por meio de estudos e desafios para que em sala de aula as dinâmicas de grupo e debates aprofundem o conhecimento.

    A metodologia Steam foi criada nos EUA na década de 1990 para as disciplinas Ciências, Tecnologias, Engenharia, Artes e Matemática, são atividades guiadas e permite que os alunos resolvam problemas por meio de um trabalho colaborativo e desta forma serem protagonistas do seu próprio aprendizado. É uma abordagem pedagógica que integra áreas e é baseado em projetos para que sejam desenvolvidas diferentes habilidades, incentivando e motivando os alunos para desafios futuros.

    Investigar, descobrir, conectar, criar e refletir são as cinco etapas utilizadas para motivar a descoberta e podem ser usadas para desenvolver projetos onde os alunos experimentem e vivenciem o pensamento científico e crítico de modo interpretativo e reflexivo desde a Educação Infantil ao Ensino Médio.

    A abordagem Steam contribui para uma aprendizagem por experimentação, a investigação científica, o trabalho por projetos, uso da programação e robótica.

    Para que os desafios façam sentidos é importante propor desafios reais aos alunos para que apliquem conceitos e proponham soluções. Despertar habilidades e atitudes necessárias à vida contemporânea como “faça você mesmo”, da cultura Maker.

    As propostas indicadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estão ligadas ao Steam quando estabelece com diferencial, uma experiência de aprendizagem cada vez mais interdisciplinar que leva o aluno a praticar e exercitar diversas habilidades.

Considerações finais:

A motivação dos professores aliada aos planos pedagógicos disponíveis no momento atual são ferramentas que devemos utilizar e manifestar entusiasmo pelas atividades realizadas com os alunos e assim constituir um exemplo de motivação para eles. Podemos explicar a relação e coerência entre as matérias que devem ser aprendidas e que possam entender e adquirir uma perspectiva global dessas aprendizagens, salientar as vantagens futuras e criar sempre situações para que os alunos tenham um papel ativo na construção do seu próprio saber.

Aproveitar as diferenças individuais e assim levar os alunos mais motivados a compartilhar o que compreenderam com os colegas de sala com mais dificuldade e contribuir para incentivar e fomentar para que sejam os protagonistas do próprio processo de aprendizagem. Como cita a BNCC: “Comunicar-se, ser participativo, colaborativo e resiliente.

A motivação requer o relacionamento do progresso escolar, proporcionar momentos de avaliação levando – os a sentirem satisfeitos pelo que conseguiram aprender, mostrar melhorias ocorridas e fazê-los acreditar que ainda podem melhorar mais os seus desempenhos com esforço e tornar-se o sujeito do seu próprio aprendizado.

O engajamento do aluno ainda depende da arte de ensinar, motivar para a interação com o objetivo de conhecimento e levar o aluno a aumentar o seu nível de conhecimento é o principal objetivo da educação.

À medida que os professores conseguem e desenvolvem a sua motivação pessoal, fundamentada em sua missão profissional, maior será a sua capacidade de estimular a motivação dentro de cada aluno. Quando conseguimos motivar os nossos alunos, mobilizamos para uma ação com entusiasmo de tal forma que eles comecem a dar existência a sua própria motivação.

Toda motivação deve estar relacionada com objetivos, deixar que o aluno mostre seu lado criativo, pense, desenvolva ideias e tenha um papel ativo na construção do conhecimento.

A motivação influencia a aprendizagem e o conhecimento, alunos motivados a aprender descobrem que quando o fazem, estão intrinsecamente motivados a continuar seu aprendizado e um professor com estilo motivacional é fundamental para o envolvimento dos estudantes na escola, é um mediador desse caminho para desenvolver as habilidades e competências entre os alunos.

Referência Bibliográfica:

Nova Escola: Como levar o Steam para a Sala de Aula.
Nuttin J. (1991) Theorie de La Motivation Humanie (3ed) Paris PUF
Paiva e Loureiro, A. (2010) Disrupcao Escolar e Rendimento Acadêmico.
Perez, J. (2009) Coaching para Docentes: motivar o Sucesso.
Revista Educação: As dez tendencias inovadoras na Educação.
Revista Direcional Escolas.

About author

Sandra Cunha é graduada em Letras e pós-graduada em língua portuguesa e literaturas da língua portuguesa. Possui certificado em Teaching Knowledge Test – TKT. É professora de inglês e de Língua Portuguesa para Estrangeiros há mais de 14 anos em Escolas de Idiomas, Empresas e Escola Particular.
Related posts
BlogCultura e Educação

Reflexões sobre o Ensino Híbrido

BlogInglês

The Dora Explorer Effect

BlogInglês

Storytelling with wordless picturebooks

BlogCultura e Educação

Speaking Exchange: desafios e ganhos de um projeto intergeracional

Assine nossa Newsletter e
fique informado

    E-mail

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Espere um pouquinho!
    Queremos mantê-lo informado sobre as principais novidades do mercado acadêmico, editorial e de idiomas!
    Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros.