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Traduzir ou não?

Por Vanessa Prata*
Estudei Inglês na adolescência numa escola em que os professores (a maioria pelo menos) falavam Inglês em sala desde o Básico 1, e para mim foi ótimo. Quando comecei a dar aulas, tentei por muito tempo também usar ao máximo o idioma com os alunos e reduzir ao mínimo o uso de Português. Hoje, no entanto, não sou contrária ao uso da tradução (moderada, claro, nem tudo deve e precisa ser traduzido).
O que mudou? Não sei ao certo, mas talvez a velocidade com que tudo acontece, a rapidez com que queremos e precisamos aprender outro idioma e a variedade de recursos disponíveis para o estudo possam ter contribuído para essa percepção. É evidente que é mais rápido simplesmente traduzir uma palavra “difícil” para o aluno do que gastar vários minutos tentando explicar em Inglês o significado por meio de exemplos, sinônimos ou definições que, muitas vezes, só vão confundir ainda mais o aluno e deixá-lo frustrado.
Claro que ninguém precisa traduzir “house”, podemos explicar de uma maneira simples, mostrar uma foto ou até mesmo desenhar (embora no meu caso seja melhor não me arriscar, ou eles podem confundir “house” com qualquer outra coisa). No entanto, traduzir expressões idiomáticas, provérbios ou mesmo linking words pode agilizar o entendimento e deixar o aluno mais confortável e confiante. Por mais exemplos que o professor dê, muitos alunos não conseguem ver a diferença de “although” e “however”, por exemplo, e a tradução nesses casos pode ajudar:
Although I was sick I went to the party last night (Embora estivesse doente, fui à festa ontem à noite. Não podemos usar “no entanto” aqui).
I was sick last night. However, I went to the party. (Estava doente ontem à noite. No entanto, fui à festa. Não podemos usar “embora” aqui).
Ao ensinar gramática, também não vejo problemas em dizer que tanto “I live” como “I have lived” podem ser traduzidas como “Moro”, “I have already been to …” é “Já estive em …” e “If I had had…” vira “Se eu tivesse tido…”. Acredito que para alguns alunos a tradução não é necessária, mas não atrapalha, e para outros pode ajudar no entendimento. Cada caso é um caso, e cabe ao professor avaliar quando é importante traduzir ou não.
Recursos
Além da agilidade e da maior compreensão, outro fator que pode contribuir com a tradução é a variedade de recursos digitais disponíveis. A maioria dos alunos anda constantemente com celulares conectados à internet, com fácil acesso a dicionários e tradutores automáticos, tanto na aula como numa viagem internacional ou até possivelmente numa reunião de negócios.
Não podemos ir contra essa tecnologia, mas devemos ajudar o aluno a tirar o melhor proveito dela. O problema não é usar um tradutor automático ou um dicionário bilíngue, mas não perceber que nem sempre a primeira resposta é a correta. Cabe aos professores mostrarem aos alunos como encontrar o melhor significado dentro de um determinado contexto. E aqui podem (e devem) entrar explicações, mesmo que em Português, sobre classes de palavras, por exemplo, e sobre como usar os dicionários. Todo aluno básico sabe que “book” é livro, mas será que eles também sabem que “book” pode ser um verbo, com o sentido de reservar? E que se estiver num contexto de viagem provavelmente será esse significado?
É claro que o aluno não poderá usar esses tradutores ou dicionários em toda e qualquer situação, mas eles podem ser ferramentas para desenvolver a autonomia nos estudos. Não estou defendendo, portanto, que tudo deve ser traduzido em aula, mas que em algumas situações os professores podem, sim, se valer da tradução de alguns termos sem terem crises de consciência depois.  


*Vanessa Prata é jornalista e professora de inglês há 12 anos. Formada em Comunicação Social e pós-graduada em Tradução, possui os certificados CPE, TKT e ICELT, da Universidade de Cambridge. Contato: teachervanessaprata.blogspot.com.  
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